"Aí, meu pai veio e me salvou."
Gosto de histórias pessoais para falar do nosso Grêmio. Vou contar uma que se passou comigo uns anos atrás.
Embora pareça mentira, tenho um filho de 12 anos chamado Mateus. Muito inteligente e também muito bonito (vai dar trabalho). Quando vim morar em Porto Alegre, cheguei em formato família. Mas, como na maioria dos jovens casais a união não prosperou muito tempo e o Mateus e sua mãe voltaram para minha cidade natal, Santa Maria.
Foi um período muito difícil, sempre fui muito ligado a ele e até hoje sinto muita falta. Tentava ser mais presente possível estando à distância. Bem, mas não é sobre isso que quero escrever.
Quando ele foi morar em Santa Maria, foi para a casa dos seus avós maternos, onde viviam 2 grandes amigos e ex-cunhados. Que por azar do destino, torcem para os amargos. Eu, que sentia falta da presença e companhia do meu filho, estava apavorado com a perspectiva iminente dele se transformar em algo vermelho.
Pavor, pavor, pavor. E meu pavor aumentou no ano de 2006. Tudo era sobrecarregado de 100% de magenta + 100% de amarelo. Aquela infeliz cor ia entrar de vez na minha vida pela porta da frente e no mais precioso ser.
Passou 2006, minhas tentativas de conversa se tornavam desesperadas. O meu filho, meu melhor amigo ia virar algo que eu não gostaria que fosse. Quando tudo parecia se esgotar, busquei ele em Santa Maria e o trouxe ao Monumental. Era final do gauchão. Grêmio e Juventude.
Seus olhos começaram a brilhar quando ele viu a massa vestindo o cintilante azul, o preto e o branco. Perguntei inocentemente “Filho, tu quer uma camiseta do Grêmio?” De pronto ele respondeu “SIM! Quero!” Aquele desespero anterior começara a se dissipar.
Dentro do estádio, estávamos próximos da Geral ele brindava tudo aquilo que acontecia, o verde do gramado, os jogadores correndo, a torcida cantando e pulando sem parar. E o melhor, 4 gols do Tricolor. Grêmio Campeão Gaúcho de 2007. Ok, foi um gauchão, mas para mim foi um mundial.
Anos depois, meu pai (gremista) ouviu uma conversa entre meu filho e um amiguinho dele, enquanto os dois brincavam e uma frase ficou gravada na mente do avô coruja. Meu filho falou para seu amigo “Sabe, eu estava virando c****ado. Meus tios estavam me convencendo. Mas aí, veio o meu pai e me salvou.”.
Muita gente vai dizer, ele nunca viu um título de importância, nunca viu o time ser campeão da américa, do mundo, etc. Mas eu respondo, que ele pode ver a todo final de semana, o time mais aguerrido, a camiseta mais bonita, o manto mais pesado, das mais respeitadas do mundo e uma torcida apaixonada como não existe no nosso País. E certamente ele vai ter por toda vida, o amor incondicional pelo Grêmio, o mesmo que eu tenho por ele, mesmo caso ele tivesse ido para os lados de lá.
Peço a todos os Gremistas que depois de lerem esse post, salvem um moleque, uma menina, e dêem a eles essa chance de fazerem parte dessa nossa mística. Pois depois que todos nós formos, serão eles que carregarão o Grêmio por nós. Dale. Texto do Marcio Abreu (@marcioabreu).
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